Investimento de R$ 400 mil em emenda parlamentar, somado à contrapartida do município, permitiu recuperar espaço
Um espaço que atravessa gerações e guarda parte da memória religiosa e comunitária de São Miguel das Missões voltou a receber moradores e visitantes. Conhecida pela população como “Capelinha” ou “Igrejinha”, a construção histórica foi reinaugurada, após passar por obras de revitalização.
Erguido no século XX, período em que São Miguel das Missões ainda era uma vila pertencente ao município de Santo Ângelo, o templo teve papel importante na vida religiosa da comunidade. Durante muitos anos, foi sede da Igreja Católica e recebeu celebrações, casamentos, batizados e outros momentos que marcaram a trajetória de diferentes gerações de famílias miguelinas.
Localizada nas proximidades do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, a igrejinha permaneceu por anos em estado de abandono. A recuperação do imóvel recebeu investimento de R$ 400 mil, por meio de emenda parlamentar, além de contrapartida da Prefeitura de São Miguel das Missões.
Uma etapa fundamental para viabilizar a intervenção ocorreu em 2024, com a formalização de um termo de concessão entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o município. Pelo acordo, a Prefeitura assumiu, pelo período de 20 anos, a responsabilidade pela conservação do imóvel, possibilitando o desenvolvimento e a execução do projeto de revitalização.
MEMÓRIA AFETIVA
A entrega do espaço foi marcada também pela retomada das celebrações religiosas. A primeira missa realizada após a revitalização reuniu moradores e trouxe à tona lembranças de quem acompanhou parte da história da antiga capela.
Moradora da comunidade há 40 anos, Fátima Ferretti destacou a emoção de retornar ao local e encontrar a construção recuperada. “Foi muito emocionante, porque a gente reviveu anos passados e pôde também trazer essa cultura para outras pessoas. A nossa capelinha foi reformada para lembrar todos aqueles momentos que passamos por aqui”, afirmou.
Para a secretária municipal de Turismo, Desenvolvimento e Cultura, Rozana Fassini, a reinauguração representa a conclusão de um processo construído ao longo dos últimos anos e, ao mesmo tempo, acrescenta um novo espaço à experiência de quem visita São Miguel das Missões. “Após 10 anos de um trabalho intenso da administração municipal, estamos entregando a capelinha para a nossa comunidade, que tem uma memória afetiva muito grande com este local, e também entregando ao visitante um novo espaço para conhecer em São Miguel das Missões”, destacou.
Segundo Rozana, a recuperação também está inserida em uma estratégia de ampliar o olhar do visitante sobre o destino, apresentando outros lugares relacionados à história e à identidade local. “Temos falado que São Miguel das Missões vai além das ruínas. Este é um espaço fantástico e que deve entrar no checklist de locais para visitar”, acrescentou.
PATRIMÔNIO
Com a revitalização, a antiga igrejinha volta a fazer parte dos espaços preservados e disponíveis à comunidade e aos visitantes, recuperando não apenas uma construção, mas também sua função como lugar de encontro, memória e pertencimento.
Para quem viveu celebrações no local, a reabertura permite reencontrar parte da própria história. Para quem chega a São Miguel das Missões pela primeira vez, a capelinha passa a representar mais um ponto para compreender as diferentes camadas históricas que constituem o município para além do período missioneiro.
Como resumiu Fátima Ferretti durante a reinauguração, o espaço agora está novamente “aberto ao público, aos visitantes”, permitindo que as memórias preservadas pela comunidade também sejam compartilhadas com novas gerações.
TEXTO/FOTOS: Agência Eleita/Ascom Seturis São Miguel das Missões









